Ética na internet: uma discussão possível

Escrito por maiscode

Publicado em 16/08/2021

Desde que a humanidade é a humanidade, o conceito de ética é discutido. Ou melhor, mais ou menos a partir do século V a.C, na Grécia Antiga, as discussões se iniciaram oficialmente.

“Os seres humanos podem viver harmonicamente? Podemos decidir o que é certo ou errado? Mentir é errado ou depende da mentira?” são algumas das questões que fazem parte das discussões sobre ética.

Quando a internet chegou na sociedade, novas discussões em torno da ética surgiram. A liberdade de expressão que essa ferramenta fornece para as pessoas deu um novo poder aos usuários. E junto com isso, a sensação de invisibilidade e de poder fazer o que quiser passou a impressão de que a internet é uma terra sem lei. Mas afinal, a internet é mesmo uma terra sem lei? Venha comigo desmistificar essa relação.

O que é ética?

“O estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. De acordo com o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, essa é a definição de ética.

A palavra ética vem do grego ethos, que significa "caráter moral" e tem relação com a conduta humana. Há muito tempo, a ética vem sendo discutida pelos filósofos. Provavelmente no século V a.C., na Grécia Antiga, essa discussão começou.  Sócrates, Platão e Aristóteles conceberam ideias e pensamentos em relação à conduta dos seres humanos. Basicamente, eles acreditavam que o ser humano deveria ter atitudes equilibradas e virtuosas e assim estariam alinhados à ética.

Além dos gregos, Immanuel Kant e Jeremy Bentham são outros filósofos que ao longo do tempo discutiram sobre o que é a ética.

Immanuel Kant

Para Kant, a ética é universal. Ou seja, o que é ‘certo’ para mim deve ser o mesmo ‘certo’ para você e o ‘errado’ para mim deve ser o mesmo ‘errado’ para você. A ética não depende de coisa alguma, ela apenas é.

De acordo com o filósofo, se você tiver dúvidas se uma ação sua é considerada ética, se pergunte: “todo mundo pode fazer o que eu estou prestes a fazer?”.

Caso todo mundo fizer o que você está prestes a fazer e o mundo não entrar em colapso, você pode continuar. Caso todos fizerem o que você faz e o mundo colapsar, você não deve fazer. Por exemplo: se todo mundo decidir furar a fila do supermercado, vai ocasionar uma desorganização problemática. Mas caso todo mundo respeite a ordem da fila, as coisas vão funcionar harmonicamente. Compreende?

Outros...

Já para os utilitaristas, o conceito de ética não é absoluto. Jeremy Bentham, um dos maiores representantes dessa corrente filosófica, considera que para uma atitude ser considerada ética, depende do resultado da sua ação. Se o seu ato trouxer felicidade para a maioria das pessoas já pode ser considerada ética. E assim, mesmo que você atinja esse resultado pela mentira, não há problema.

Há muitas outras correntes filosóficas, mas esses são os principais filósofos que discutem sobre ética. Como você pode ver, não há uma resposta definitiva sobre o que ela é, mas podemos perceber que a ética tenta levar a sociedade ao equilíbrio, à harmonia social e à felicidade.

A ética nas profissões

Nas profissões há diversos códigos de ética que guiam os profissionais para as melhores atitudes possíveis no dia a dia. Por exemplo, você já se perguntou se um jornalista pode adquirir uma informação por meio de uma câmera escondida? É uma baita questão.

E então, aí surge o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros para ajudar a nortear as pessoas: a resposta é não. Um jornalista não pode adquirir uma informação por meios ilícitos — o que inclui uma câmera escondida.

Mas caso a informação seja de interesse público e ele não conseguir obtê-la de nenhuma outra forma, pode agir desta maneira. Essa atitude só é considerada aceitável quando realmente ele não tiver outra solução e for urgente.

Além dos jornalistas, também há diversos outros códigos de ética profissionais, como o Código de Ética Médica, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, o Código de Ética e Disciplina da OAB e por aí vai.

Todos estes códigos servem para orientar os profissionais a agirem de forma correta.

A ética no meio digital

A internet, desde a sua criação, dá aos seus usuários uma sensação de poder. Isso porque ela te faz acreditar que você pode falar e fazer tudo sem ter grandes consequências. A possibilidade de não precisar olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa ou criar perfis falsos e poder “ser outra pessoa” liberta o ser humano para agir de forma livre e até irresponsável.

Além disso, as pessoas postam cada segundo de suas vidas na internet, o que comem, onde visitam, cada pensamento. Como se, caso não postassem, não poderiam provar que estão vivendo. A internet virou um mundo paralelo em que as pessoas vivem.

Quantas vezes você já viu pessoas totalmente desconhecidas discutindo intensamente em postagens nas redes sociais? Provavelmente mais do que deveria. Se refletirmos, estas pessoas se vissem pessoalmente, talvez não teriam a coragem e audácia de brigarem como fazem na internet; apenas seguiriam suas vidas.

Também vemos muitas vezes profissionais que postam coisas muito informais em suas redes sociais ou se expõem exageradamente. Ou, muitas vezes, expõem os próprios pacientes, o que é relativamente pior.

Você já pensou se essas atitudes são éticas? Você já viu um dia alguém agir de tal forma que te fez pensar “eu acho que essa não é a atitude mais sensata que essa pessoa poderia ter”? Provavelmente sim. A questão é que muitas pessoas agem na internet como se não houvesse quaisquer leis ou como se a realidade fora dela não existisse.

Mas, por incrível que pareça, a internet não é uma terra sem lei. Mesmo que ela seja uma invenção relativamente nova em termos de humanidade, existem leis específicas em casos de crimes cibernéticos. Crimes estes que talvez nem mesmo você sabe que são crimes. Então não, você não pode postar tudo que você quiser na internet sem pelo menos saber que suas atitudes terão consequências.

Há coisas que você faz na internet que podem fugir do que as pessoas consideram como uma “boa conduta”, como postar vídeos em que você está bêbado, expor uma opinião ácida ou discutir intensamente com estranhos. Apesar de muitas vezes essas atitudes serem consideradas antiéticas, não é crime.

Mas certas atitudes são sim criminosas. Como, por exemplo, criar perfis falsos, destilar palavras de ódio, assediar alguém ou expor informações pessoais de terceiros. Todas essas atitudes e muito mais podem ser consideradas crimes. Vamos desvencilhar um pouco esse mundo para que você entenda melhor.

Marco Civil da Internet

No Brasil, temos o Marco Civil da Internet, aprovado em 2014. Esta lei foi essencial para estabelecer os direitos, deveres e regras para o uso da internet no Brasil. Nele, é defendida a liberdade de expressão e cabe à Justiça decidir se um conteúdo deve ser retirado da internet.

Além disso, a privacidade é considerada muito importante e as empresas devem garantir a privacidade dos usos de dados, assegurando que apenas eles terão acesso aos seus dados.

Lei Geral de Proteção de Dados

Um pouco mais atual que o Marco Civil, temos também a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aprovada em 2018 e promulgada em agosto de 2020. Ela define de forma mais detalhada e específica o que são considerados dados e como usá-los na internet. As empresas que têm sites foram as que foram mais afetadas pela lei e as que devem mais prestar atenção, pois se não estiverem adequadas à Lei são penalizadas.

Uma das bases da LGPD é o consentimento, ou seja, a pessoa tem que aceitar te fornecer os dados e para isso, você deve explicar muito bem para que eles serão usados. Você já percebeu que em todos os sites que você entra há uma notificação embaixo te pedindo autorização para a utilização dos cookies? É a LGPD em cena.

Da mesma forma, o email marketing só pode ser utilizado caso os emails sejam enviados com o total consentimento dos usuários. Assim, a compra de listas de emails devem ser descartadas da sua estratégia de marketing.

Declaração Digital (Conferência de Davos)

A Conferência de Davos é uma reunião que acontece anualmente na cidade de Davos, no interior da Suíça, ministrado pelo Fórum Econômico Mundial. Nesta reunião, eles discutem questões empresariais e econômicas.

Em 2019, 40 líderes empresariais assinaram a Declaração Digital, que reúne regras para as empresas agirem na internet, como um “Código de Ética". Na declaração, é exigido que as empresas respeitem a privacidade dos usuários, utilizem os dados pessoais com segurança e transparência e combatam o assédio online.

Muito parecido com a Lei Geral de Proteção de Dados, no que se refere à transparência e privacidade.

A ética nas redes sociais

As redes sociais possuem como característica a personalização. É o meio da internet em que é possível se conectar com os amigos e familiares, ser você mesmo, postar fotos e opiniões e personalizar do jeito que você quiser. Assim, é fácil criar um mundo paralelo, como uma extensão da realidade.

No início, as redes sociais eram algo bem simples. Os algoritmos não eram muito avançados e as pessoas só compartilhavam a sua vida, sem se importar muito com o alcance. Com o tempo, as redes sociais se tornaram cada vez mais comuns e populares e essa simplicidade se dissipou.

Principalmente com a pandemia e o aumento da utilização do meio virtual, as pessoas viram nas redes sociais possibilidades de crescimento profissional e pessoal. E sim, é muito importante para o crescimento de um profissional que ele tenha uma vida ativa nas redes sociais. Mas para que isso aconteça, ele não pode postar qualquer coisa: deve-se estar atento para que suas postagens não afetem a sua vida profissional.

Há diversos casos na internet que publicações pessoais repercutiram e causaram a demissão da pessoa em questão. Um caso bem famoso foi de uma cirurgiã que teve o registro profissional suspenso temporariamente após postar vídeos mostrando pedaços de pele e gordura dos pacientes nas redes sociais. No Código de Ética dos profissionais da saúde é considerado antiético expor o resultado de procedimentos dos pacientes, se não tiver o consenso da pessoa.

Podemos chegar a conclusão que apesar de podermos ser nós mesmos nas redes sociais, é preciso ter consciência de que não precisamos postar tudo o que passa em nossa mente. Publicar todos os seus pensamentos seria uma atitude imprudente.

A questão é: você falaria tudo o que pensa em frente a milhões de pessoas presencialmente? Não? Então por que você faria o mesmo no meio virtual? Assim, com consciência e reflexão dos seus atos, você consegue ser um pouco mais ético nos meios virtuais e tem uma relação mais harmônica com os habitantes deste mundo. 

A ética no marketing digital

Há muitas discussões éticas no que diz respeito ao marketing, no geral. Questionamentos como: “o marketing estimula o desperdício e a permanente insatisfação dos indivíduos?” ou “o marketing contribui para um apego excessivo às posses materiais?” rondam entre os teóricos do marketing há quase 50 anos.

Com o advento da internet, surgiram mais questões. Com as tecnologias de cookies, algoritmos e a coleta de dados ficou mais fácil entender quem são as pessoas que estão na internet. Em poucos segundos, você consegue entender quem é a pessoa que visita seu site, o gênero, a idade, onde mora, do que gosta. Os dados das pessoas estão disponibilizados facilmente na internet. E assim, é alvo fácil para os profissionais do marketing.

Em 2018, houve um dos maiores escândalos em relação ao uso de dados: descobrimos que a Cambridge Analytica utilizava dados dos usuários do Facebook nas suas análises e assim, propagandas políticas personalizadas foram encaminhadas para cada usuário.

Depois desse escândalo, os algoritmos se tornaram mais conhecidos pelo público e entendemos melhor que o marketing chega a nós por meio de nossa caminhada na internet. E foi assim que a LGPD também se fez necessária ao definir melhor como as empresas devem se comportar no meio digital. O marketing ainda utiliza seus dados, mas agora com sua autorização.

Sabe aquele formulário para se inscrever em uma live em que você coloca seu nome e o seu “melhor email”? É coleta de dados. O pedido de autorização de uso de cookies no site? Coleta de dados. Dessa forma, as empresas entendem quem você é e pelo o que você se interessa e assim te enviam emails e marketing personalizados.

Isso não é criminoso, desde que conte com a sua autorização e consentimento. E, por isso, embaixo, tem a opção para você clicar “entendi e aceito o termo de privacidade”, “entendi e aceito os termos de uso”.

Assim, é considerado antiético no marketing digital pegar os dados dos usuários sem autorização para o envio de anúncios e emails.

Conclusão

Basicamente, a ética é o conjunto de regras para que a sociedade viva em harmonia. E para que isso dê certo, todos devem segui-la, mesmo no meio digital.

E então, você considera que suas ações na internet são éticas ou você acha que tem coisas a melhorar? Caso ainda tenha coisas a melhorar não se preocupe, é sempre tempo de melhorar.

E caso precise de ajuda para o seu site estar conforme à ética, entre em contato com a Mais Code! Podemos te ajudar nessa empreitada.

Por: Beatriz Saltão

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